A Solidariedade
Galáctica (SG)

Mapa da Via-Láctea,
com algumas das potências galácticas
A partir do século 22, os terrestres desenvolveram a
navegação interestelar mais rápida que a luz e, nos séculos seguintes, uma frota
de naves cada vez mais rápida colonizou centenas, depois milhares de sistemas
solares.
No século 35, porém, uma inesperada guerra interestelar foi
movida pelo até então desconhecido Império Trantoriano,
que tentou conquistar todo o universo humano. Entretanto, um contra-ataque improvisado,
mas bem-sucedido destroçou a frota invasora e ameaçou o próprio planeta Trantor, forçando seu Império a aceitar um armistício. Foi
então organizada a Solidariedade Galáctica, para proporcionar meios de defesa
eficazes à civilização originada da Terra.
A estrutura da organização
A Solidariedade Galáctica (SG) não é um império nem uma federação
de Sistemas Solares, mas uma complexa organização cooperativa e independente de
estrategistas, guerreiros, agentes secretos, missionários e diplomatas que atua
como um misto de ordem de cavalaria e organização não-governamental. Sua missão
é proteger a paz e a liberdade dos mundos e das civilizações que aceitem seus
princípios de solidariedade, liberdade e igualdade de todos os seres pensantes.
Para desfrutar da segurança e dos serviços diplomáticos
oferecidos pela SG, essas civilizações – cujas principais organizações políticas
geralmente são os sistemas estelares – permitem que seus cidadãos se filiem a
ela, se desejarem e atendem às necessidades da organização com naves,
equipamentos, trânsito livre para seus membros e bases de apoio e de manutenção
para sua frota.
Esses sistemas estelares continuam sendo politicamente
independentes e geralmente têm suas próprias forças armadas, mas destinadas
exclusivamente a defesa local. Em sua porção da galáxia,
só a frota da Solidariedade tem alcance suficientemente longo e dimensões
suficientemente grandes para patrulhar o espaço interestelar, operar como uma grande
potência galáctica e conter Trantor.
O espaço da SG
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O emblema da
Solidariedade Galáctica |
O emblema da organização é um desenho estilizado da galáxia
da Via-Láctea, em branco sobre negro (as cores foram evitadas em consideração às
várias espécies de seres inteligentes que não são capazes de distingui-las),
com seus seis braços: Cisne, Perseu, Órion (onde fica
o Sistema Solar), Sagitário, Escudo-Cruzeiro e Régua.
Na realidade, porém, a zona de influência da Solidariedade –
aquela que é regularmente patrulhada por sua frota – só alcança partes dos
braços de Órion, Sagitário e Perseu, uma região de
forma irregular com dez mil anos-luz de diâmetro, em média. Dentro dessa região,
existem 350 milhões de estrelas, 12 milhões de planetas com vida e cerca de 3,5
milhões de civilizações, das quais 1.326.593 têm tratados de cooperação com a SG, totalizando cerca de quatro quatrilhões de
seres pensantes. O Produto Interno Bruto dessas civilizações tem sido estimado em cerca de 300 quintilhões de cômputos por ano terrestre.
Desses sistemas e mundos, 236.908 são povoados
principalmente por novihumanos. Estes totalizam cerca de 144 trilhões, 3,6% da
população total. Entretanto, os novihumanos e as inteligências artificiais
criadas por estes representam quase 40% dos militantes da SG. Uma das razões
para isso é que a organização foi originalmente criada por novihumanos, de
forma que estes se harmonizam mais facilmente à sua cultura e às suas exigências.
Outra razão é que o modus operandi da Solidariedade
impõe requisitos de iniciativa, responsabilidade, flexibilidade e
adaptabilidade a que a maioria das espécies não consegue atender tão bem quanto
os novihumanos (embora algumas os igualem e ocasionalmente os superem).
A zona efetivamente controlada, na qual é possível bloquear
totalmente a passagem de naves inimigas e praticamente todos os sistemas possuem
bases de operações da organização ou são associados a ela, é uma região
aproximadamente circular de dois mil anos-luz de diâmetro, dentro do braço de Órion, cujo centro fica no gelado planeta Geb, que orbita a estrela anã
vermelha Velox, também conhecida como Estrela de Barnard. Dentro dessa zona há 165.824 civilizações (das
quais, apenas 1.075 não têm acordos com a Solidariedade), que têm 25% da
população de seres inteligentes e 38% da população de novihumanos da zona de
influência.
Em Geb está a sede da SG, onde um
conselho estratégico coordena as operações das esquadras e ouve as propostas e
pedidos das civilizações que já têm ou pretendem ter acordos com a organização.
No Sistema Velox vivem cerca de 600 milhões de
inteligências, quase todas militantes da Solidariedade ou diplomatas de
diferentes civilizações, com seus auxiliares e suas famílias.
O pessoal da SG
Os membros da organização totalizam hoje cerca de 168 bilhões,
dos quais, 104 bilhões (62%) são inteligências artificiais. Um bilhão destas inteligências artificiais operam caças, bombardeiros e naves estelares, 77 bilhões são mecas, ou robôs de combate e 26
bilhões são robôs empregados em manutenção, pesquisa científica e outras missões
que não envolvem combate.
As inteligências artificiais cuidam de quase todas as
tarefas especializadas, o que facilita enormemente a tarefa de coordenação e permite
às inteligências naturais, que têm mais capacidade para apreender situações
complexas, concentrarem-se nas questões táticas, estratégicas e políticas. Esta
é uma das principais razões da maior eficácia da SG em relação ao Império de Trantor: como este não é capaz de integrar inteligências
artificiais como cidadãos livres, mas apenas como escravos, o papel destas na
sua frota e no seu exército são muito reduzidos.
Das 64 bilhões de inteligências naturais, seis bilhões são tripulantes
de naves estelares, 16 bilhões (apelidados fuzileiros estelares) operam as
forças terrestres junto com os batalhões de mecas, um bilhão são pilotos de
caças ou de bombardeiros estelares e 41 bilhões prestam serviços auxiliares ou outros não relacionados a
combate – diplomáticos, científicos e outros.
Desses mesmos 64 bilhões, 23 bilhões são novihumanos. Ou
seja, um em cada seis mil novihumanos milita na SG. Na média das outras espécies,
a razão é de um para cada 100 mil, aproximadamente. A organização seleciona
seus membros entre os voluntários levando em conta principalmente sua coragem,
inteligência, autonomia e padrões éticos e morais.
As forças de combate
Mesmo as forças de combate não têm o tipo de cadeia de
comando que se associou ao conceito de “militar”. Pelos padrões dos militares
do passado, a SG é praticamente uma anarquia. Não se espera dos militantes uma
obediência cega. Pelo contrário, normalmente se espera que tenham suas próprias
idéias, façam suas propostas e de contestem instruções discutíveis, sempre que
a ocasião o permita. Como nos navios piratas da era dos descobrimentos, o comando formal só é
exercido de forma temporária e dependente da situação. Ou seja, é apenas em
situações de combate ou de emergência que o comandante assume de fato seu posto
e os demais devem seguir suas orientações e deixar as discussões para depois
que a crise estiver terminada. Em situações de normalidade, o comandante normalmente
fica sob a liderança democrática dos militantes socialmente ou politicamente
mais hábeis.
Por isso, a SG, ao contrário das forças armadas tradicionais, não tem uma hierarquia complexa. Os militantes, combatentes ou não, são classificados por graus que atestam sua experiência e de sua capacidade demonstrada. Embora possuir um grau elevado seja um fator de prestígio na organização, não obriga militantes de grau inferior a obedecer, nem confere, necessariamente, um posto de comando. Esses graus são: aprendiz, suboficial, oficial, contramestre, mestre e grão-mestre. A grande maioria dos militantes são oficiais ou suboficiais.
A organização possui cerca de um milhão de esquadras de
combate, cada uma com cerca de oitenta naves estelares de combate ou de apoio, 600
bombardeiros, 200 caças, 80 mil robôs de combate e 30 mil inteligências naturais (incluindo pessoal de apoio). Geralmente,
todos os tripulantes de uma mesma nave são do mesmo mundo e da mesma espécie,
devido à dificuldade de adaptar o ambiente (atmosfera, gravidade, temperatura
etc.) e os instrumentos de uma nave às necessidades e capacidades de seres
muito diferentes, mas muitas esquadras são compostas de naves tripuladas por
espécies diferentes.
Essas esquadras estão agrupadas em mil setores, cada um dos quais tem um centro que coordena as missões de paz, de pesquisa e de combate e se reporta ao centro de coordenação geral em Velox. Cada setor tem centenas de naves de comando que podem substituir o centro de coordenação quando e onde for necessário – por exemplo, se as operações se deslocarem para espaço inimigo. Cada setor tem um orçamento da ordem de três quatrilhões de cômputos por ano terrestre, valor comparável ao do Produto Interno Bruto do Sistema Solar.
Naves de combate

Naves de
combate da SG em manobras perto de Júpiter: vê-se uma grande nave de batalha da
classe Huáscar, uma fragata da classe Calabar e uma esquadrilha de cinco bombardeiros
leves Jaguar.
Existem dezenas de diferentes tipos de naves estelares de combate. As principais são as seguintes:
·
Naves de comando
– são naves muito grandes e muito bem defendidas, servem
como centros operacionais e bases de operações para as forças longe de casa. Com
1.600 a 4.000 de comprimento, deslocam 100 milhões a 900 milhões de
toneladas, levam milhares de tripulantes, dois ou três mil caças e bombardeiros, poderosíssimos campos de força e muito armamento pesado. Há trezentas mil dessas naves nas
esquadras da SG.
·
Naves de batalha
– menores que as naves de comando, mas dedicadas exclusivamente ao combate com
outras naves. Têm 1.000 a 1.600 metros de comprimento, massa de 35 milhões a
70 milhões de toneladas, 200 a 350 tripulantes, poderosos campos de força e armamento
pesado. Há três milhões delas.
·
Naves-mãe
– de dimensões semelhantes ao das naves de batalha ou algo menores (900 a 1.600 metros, 15 milhões
a 70 milhões de toneladas), mas que servem quase exclusivamente como base para caças e bombardeiros estelares – 50 a 200 deles, dependendo do tamanho da nave-mãe e dos tipos de
veículos que transporta. São também cerca de três milhões.
·
Naves de assalto
– de dimensões menores que o das naves-mãe, transportam e desembarcam a partir
do espaço forças para combate em terra, mar e ar. O comprimento varia entre 700
e 1.300 metros e a capacidade varia de três mil a mais de trinta mil unidades de
combate (mecas e caças atmosféricos), além de alguns caças e bombardeiros estelares (20 a 40
nas de maior porte e seis nas menores). Há dois milhões de grande porte (dez a
quarenta milhões de toneladas) e dois milhões mais leves (quatro milhões de
toneladas).
·
Cruzadores
– de médio porte, destinadas principalmente a escoltar naves-mãe e naves de assalto em suas operações. O comprimento varia de 600 a 1.000
metros, a massa de oito milhões a vinte milhões de toneladas, com 70 a
duzentos tripulantes e armamento de categoria intermediária. Há oito milhões deles na SG e três milhões nas forças de defesa locais, das quais costumam ser as naves mais poderosas.
·
Fragatas – menores que
os cruzadores, velozes e muito versáteis, respondem pela maior parte do
trabalho de escolta e patrulha da SG. São muitas vezes consideradas, mais do
que as naves de batalha, a verdadeira espinha dorsal da frota. Têm 400 a 600
metros de comprimento, deslocam dois milhões a cinco milhões de toneladas, 12 a
50 tripulantes e uma grande variedade de armamento médio e leve. A frota da SG
tem nada menos de 40 milhões delas.
·
Corvetas – ainda menores
e mais velozes que as fragatas, raramente integram as grandes frotas de
combate. Têm 250 a 400 metros de comprimento, massa de
500 mil a dois milhões de toneladas, armamento leve e não precisam de mais do
que cinco a quinze tripulantes. Há dezenas de milhões delas nas forças dos
sistemas estelares, que as usam principalmente em rotineiras missões de
patrulha. Já a SG, que possui dois milhões, as reserva para missões especiais
de pesquisa, espionagem e observação.
·
Hipernaves – capazes de usar campos de hiperdistorção
e tornar-se praticamente indetectáveis e atacar de
surpresa, são um dos grandes trunfos da esquadra da SG, que possui quinze milhões
deles. Variam do tamanho de uma corveta ao de uma fragata e levam de cinco a
quinze tripulantes. Carregam armamento em quantidade limitada, mas suficientemente
poderoso para colocar em risco uma nave de batalha. As forças de defesa locais possuem
em número comparável, mas muito menores (50 mil a 100 mil toneladas, 200 a 250
metros de comprimento), e muito menos poderosamente armadas.
·
Bombardeiros estelares
– pequenas naves que usam campos de superdistorção que
lhes permitem alcançar velocidades dez vezes superiores (em média) ao das mais
rápidas naves de combate tradicionais. A SG já começou a perder o monopólio
dessa tecnologia, mas seus equivalentes de Trantor são
menores, geralmente menos rápidos e de menor alcance. Há 600 milhões de bombardeiros
estelares na frota da SG e 400 milhões nas forças de defesa locais. Dividem-se em bombardeiros leves (50 a 80 metros, 2.000 a 5.000 toneladas, um
tripulante), médios (80 a 140 metros, 5.000 a 15.000 toneladas, dois tripulantes), pesados
(140 a 300 metros, 15.000 a 50.000 toneladas, cinco a dez tripulantes) e superpesados
(300 a 500 metros, mais de 50.000 toneladas, dez a quinze tripulantes). São usados para atacar fortalezas, estações
espaciais ou naves de combate de grande porte e carregam algum
armamento pesado. Os bombardeiros pesados e superpesados carregam
armamento ainda mais devastador, mas são grandes demais para operar a partir de
naves-mãe convencionais. Operam apenas a partir de grandes naves de comando ou estações
espaciais e possuem um alcance muito maior que os convencionais.
·
Caças estelares
– parecem-se com os bombardeiros estelares, mas são mais ágeis e destinam-se não a atacar bases e naves de grande porte, mas a combater bombardeiros e caças estelares inimigos. Há 200 milhões de caças
estelares na frota da SG e 800 milhões nas forças de defesa locais. Dividem-se em ultraleves (30 a 50 metros, 500 a 2.000 toneladas, um tripulante), leves (50 a 80 metros, 2.000 a 5.000 toneladas, um
tripulante) e médios (80 a 140 metros, 5.000 a 15.000 toneladas, dois tripulantes).